José Moyano: “As instituições portuárias são fundamentais para garantir que os mirtilos cheguem ao mercado europeu em boas condições.”
No 39º Seminário Internacional do Mirtilo, realizado em Lima, a logística portuária foi mais uma vez destacada como um componente estratégico para a competitividade do mirtilo em seu destino. Em um contexto marcado por crescentes exigências de sustentabilidade, controle documental e qualidade na chegada, o desempenho logístico não depende mais apenas da infraestrutura, mas também da capacidade institucional de coordenar processos, partes interessadas e padrões ao longo de toda a cadeia de suprimentos.
Em conversa com a Blueberries Consulting, José Moyano, diretor da Autoridade Portuária de Málaga, analisou o impacto dessas novas exigências nas exportações agrícolas latino-americanas para a Europa. Nessa perspectiva, ele explicou como a experiência europeia em governança portuária e parcerias público-privadas pode oferecer lições relevantes e por que Málaga busca se posicionar como uma aliada estratégica para o crescimento do setor. mirtiloou nos mercados do sul da Europa.
—José, como foi sua experiência nesta edição do seminário em Lima?
Com grande entusiasmo. A verdade é que o evento superou em muito as expectativas, tanto em termos de número de participantes quanto da qualidade das apresentações e dos expositores.
Acredito que esse tipo de reunião é muito valioso para que o setor continue crescendo e se desenvolvendo, especialmente em uma indústria tão dinâmica quanto a nossa. oxicoco.
—Atualmente, a Europa enfrenta demandas crescentes em sustentabilidade e rastreabilidade. Como isso impacta a logística portuária e o acesso de produtos latino-americanos?
O impacto é direto. Para os importadores agrícolas peruanos e, em geral, para todos os exportadores que buscam acesso facilitado aos mercados europeus, compreender esse quadro regulatório é fundamental.
A Europa exige agora um rigoroso controlo documental da produção, rastreabilidade completa desde a origem e uma monitorização precisa das condições do transporte marítimo. A isto junta-se a digitalização dos processos logísticos, que se tornou um elemento fundamental para garantir a continuidade, o controlo e a eficiência em toda a cadeia de abastecimento.

José Moyano no Seminário Internacional de Mirtilos Lima 2026,
—O que a América Latina pode aprender com a experiência europeia em governança portuária e coordenação público-privada?
Acima de tudo, podemos aprender com nossos erros, que foram numerosos. A governança portuária tem sido tema de debate na Europa nos últimos anos, com diferenças significativas entre as visões dos portos do norte e do sul.
No entanto, esse processo acabou por levar a um quadro regulamentar aprovado pela Comissão Europeia, que ajuda a integrar os vários intervenientes na cadeia logística. E essa integração, precisamente, é um dos fundamentos mais importantes de um sistema portuário eficiente.
—Como isso se relaciona com a colaboração público-privada?
De forma muito semelhante, pois essa regulamentação também rege a relação entre as administrações públicas e os investidores privados que fazem parte do ecossistema logístico e portuário.
No caso do Porto de Málaga, isso significa ter um quadro mais claro para coordenar a ação pública com os atores privados, necessário para manter operações eficientes. Essa coordenação é essencial para apoiar adequadamente as cadeias de exportação agrícola.
—Que lugar Málaga ocupa hoje na entrada de produtos latino-americanos na Europa?
Ao longo dos últimos dez anos, a Málaga desenvolveu uma significativa expertise na gestão de produtos perecíveis. Grande parte desse trabalho foi realizado com produtos da América Latina, sendo o Peru nosso principal cliente, embora prefiramos considerá-lo um parceiro ou aliado.
Começamos com abacates e mangas, depois adicionamos cebolas e, neste último período, observamos um crescimento significativo nas uvas. Também esperamos avançar bastante com os mirtilos, que atualmente estão se destacando como um dos produtos com maior potencial nesta categoria.

José Moyano no Seminário Internacional de Mirtilos Lima 2026,
—Por que o mirtilo ganhou tanta relevância nesse contexto?
Porque hoje o oxicocoJuntamente com as uvas, posicionou-se como um alimento associado a tendências de consumo muito fortes: lanche saudável, alimento funcional, compatível com exercícios físicos e com dietas voltadas para o bem-estar.
Isso lhe confere uma visibilidade comercial significativa, mas também aumenta as exigências quanto ao seu estado na chegada. Por ser um produto perecível e sensível, a logística do oxicoco Requer altos níveis de precisão e confiabilidade.
—Em termos de competitividade sistêmica, o que pesa mais: a infraestrutura física ou o arcabouço institucional do porto?
É uma pergunta difícil, porque ambos são cruciais e impactam diretamente o cliente, tanto na origem quanto no destino.
Mas se tivesse que escolher uma, diria capacidade institucional. A infraestrutura gera capacidade, mas é a capacidade institucional que permite a gestão eficaz dessa capacidade e a traduz em operações eficientes, para que os mirtilos cheguem em boas condições ao mercado europeu.
—Por que essa dimensão institucional é tão importante no caso dos mirtilos?
Devido ao crescente volume de oferta e à concorrência cada vez maior no mercado europeu, o Peru continua liderando o ranking de exportadores, mas outros países também estão entrando no mercado com maior força.
Isso faz da Europa um mercado com boa oferta e, ao mesmo tempo, muito exigente em termos de qualidade. oxicocoAlém disso, os consumidores valorizam particularmente as frutas que chegam firmes, sem perda de umidade e sem deterioração associada ao transporte excessivo. Portanto, a qualidade da gestão portuária tem um impacto direto no resultado comercial.

José Moyano no Seminário Internacional de Mirtilos Lima 2026,
—Que mensagem você daria hoje aos exportadores de mirtilo que estão lendo esta entrevista?
Eles têm um aliado em Málaga. Queremos trabalhar para garantir que o mercado de oxicoco continuar a crescer, não só em Espanha, mas também em Portugal e em toda a nossa área de influência logística.
Nossa área de atuação abrange o sul da França, do Atlântico ao Mediterrâneo, e oferece conexões competitivas até mesmo com o norte da Itália. Nesse sentido, proporcionamos uma segunda oportunidade logística: uma segunda porta de entrada que não implica em duplicação de custos, mas sim em maior confiabilidade.
—E qual o valor dessa segunda porta logística para o exportador?
Isso é muito valioso porque maior confiabilidade se traduz em benefícios econômicos. Pode significar melhor reconhecimento da qualidade do produto e também menor exposição a penalidades por perdas ou danos resultantes de tempos de transporte excessivos.
Em última análise, nosso objetivo é nos estabelecermos como um parceiro estratégico para facilitar o acesso dos mirtilos aos mercados do sul da Europa.
Participação no Seminário Internacional de Mirtilos Lima 2026
No 39º Seminário Internacional de Mirtilos Lima 2026, José Moyano participou do painel “Como a eficiência logística redefine custos e competitividade desde a origem?”, que abordou o impacto das operações logísticas no desempenho comercial da fruta fresca. Nessa perspectiva, sua análise enfatizou que, para o oxicocoAs instituições portuárias, a rastreabilidade e a gestão eficiente da capacidade são variáveis cada vez mais cruciais para o acesso competitivo à Europa.

José Moyano no painel “Como a eficiência logística redefine o custo e a competitividade desde a origem?”
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Confira a entrevista completa em nosso canal do YouTube. Blueberries TV