Corantes alimentares de longa duração com mirtilos

Essa descoberta pode abrir caminho para uma nova geração de substâncias naturais vermelhas e azuis para bebidas, laticínios, produtos de panificação e até mesmo cosméticos. Neste estudo, especialistas combinaram duas técnicas para melhorar a intensidade e a estabilidade da cor das antocianinas.

Uma equipe de pesquisa da Universidade de Sevilha (EUA) obteve novos corantes alimentares com maior estabilidade, aumentando as propriedades de conservação das antocianinas, os pigmentos responsáveis ​​pela cor característica dos mirtilos, em até 40%.

Este avanço poderá abrir caminho para uma nova geração de substâncias vermelhas e azuis naturais para bebidas, laticínios, confeitaria ou até mesmo cosméticos, afirmou o Ministério da Universidade, Pesquisa e Inovação em comunicado.

Além disso, ao utilizar cascas de mirtilo, um resíduo agroindustrial, a pesquisa propõe um modelo de economia circular que aproveita o desperdício alimentar e o transforma em ingredientes de alto valor agregado.

Em um artigo publicado na revista Food Research International, especialistas demonstram a eficácia desse método em uma bebida isotônica em laboratório.

Nos últimos anos, a indústria alimentícia tem procurado substituir os corantes sintéticos por naturais; as antocianinas presentes em frutas vermelhas como o mirtilo representam uma boa alternativa como pigmentos naturais, embora sejam altamente instáveis, pois se degradam com o calor, a luz ou alterações de pH, perdendo rapidamente sua cor vibrante.

“O grande problema com os corantes naturais é que eles não resistem bem aos processos industriais. Queríamos encontrar uma forma de protegê-los sem alterar sua origem natural, e encontramos uma possível solução para esse problema”, disse Belén Gordillo, pesquisadora da Universidade de Sevilha, à Fundação Descubre, organização vinculada à Secretaria Regional de Universidades.

Neste estudo, especialistas combinaram duas técnicas para melhorar a intensidade e a estabilidade da cor das antocianinas.

Por um lado, ocorre a copigmentação com ácido ferúlico, um composto antioxidante presente nas frutas que atua como um parceiro protetor, ajudando a manter sua tonalidade brilhante por mais tempo.

Por outro lado, a microencapsulação consiste em envolver as antocianinas com uma fina camada de maltodextrina, um tipo de açúcar que as protege da degradação física, como a exposição ao calor, à luz e ao ar, como se fosse uma cápsula invisível.

“O experimento revelou que, ao reduzir a proporção de maltodextrina e adicionar ácido ferúlico, as partículas retiveram mais de 40% das antocianinas originais e apresentaram maior capacidade antioxidante. A cor permaneceu estável, um feito raro para corantes naturais”, acrescentou o pesquisador.

Os pesquisadores começaram extraindo antocianinas da casca do mirtilo, por ser a parte mais rica em cor, e prepararam uma solução à qual adicionaram ácido ferúlico, para que este atuasse como protetor da cor.

Em seguida, passaram para a segunda parte do processo, chamada microencapsulação, na qual misturaram a solução de antocianina e ácido ferúlico com uma substância comestível, a maltodextrina, e a submeteram a um processo de secagem por pulverização.

Por fim, os cientistas analisaram as propriedades desse pó, verificando que a combinação com ácido ferúlico seguida de revestimento por microencapsulação ofereceu a maior proteção da cor contra o passar do tempo e condições adversas.

Os pesquisadores propõem dar continuidade ao trabalho para viabilizar a transição dessa estratégia dupla em escala industrial, otimizando custos, materiais de revestimento e condições de secagem.

Eles também sugerem explorar outros agentes encapsulantes e copigmentos naturais para melhorar ainda mais a proteção da cor e adaptar o processo a diferentes tipos de alimentos.

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